domingo, 22 de abril de 2012

22 horas


Um passo depois do outro
Caminho inútil as ruas da minha cidade

Custa o esforço de um quarteirão
abrir caminho à vida
entre o cinza dos muros e a ferragem retorcida

22 horas
Ruas quase desertas, uns poucos guardas
particulares que vigiam propriedades
Um cachorro perdido na esquina
Bancos fechados a espreita
anunciando a voracidade frenética de amanhã

Nos bares
imbecis, boêmios e poucas prostitutas
se amontoam nas mesas, traficam olhares
afogam angústias em álcool barato
para a satisfação de comerciantes ávidos de lucro

As 22 horas
farmácias dia e noite iluminadas de alto a baixo
esperam doentes apavorados e viciados de sempre
fregueses de anfetaminas

Custa o esforço de uma multidão
abrir caminho à vida
entre o cinza cinzento e o ferro das ferragens 
nas ruas da minha cidade 


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