Um passo depois do outro Caminho inútil as ruas da minha cidade Custa o esforço de um quarteirão abrir caminho à vida entre o cinza dos muros e a ferragem retorcida 22 horas Ruas quase desertas, uns poucos guardas particulares que vigiam propriedades Um cachorro perdido na esquina Bancos fechados a espreita anunciando a voracidade frenética de amanhã Nos bares imbecis, boêmios e poucas prostitutas se amontoam nas mesas, traficam olhares afogam angústias em álcool barato para a satisfação de comerciantes ávidos de lucro As 22 horas farmácias dia e noite iluminadas de alto a baixo esperam doentes apavorados e viciados de sempre fregueses de anfetaminas Custa o esforço de uma multidão abrir caminho à vida entre o cinza cinzento e o ferro das ferragens
nas ruas da minha cidade
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